Adeus dívidas

adeus dívidas

Muitas pessoas acham que não é possível se livrar das dívidas por não ganhar o suficiente para quitá-las. A tarefa é desafiadora, mas, com planejamento, disciplina e perseverança, você conseguirá cumpri-la sem maiores problemas. Para isso, é importante reconhecer o quanto devemos e então se organizar financeiramente para não passar por esse aperto novamente.

Eu mesmo achava que era impossível sair das minhas dívidas e isso afastava alguns sonhos que eu tinha. Achava que nunca conseguiria ter uma casa própria, um carro ou viajar pro exterior. Ser um devedor acaba nos colocando para baixo e fazendo a situação piorar ainda mais pois acreditamos que comprar desenfreadamente vai resolver algum problema. É uma roda-viva, compramos demais, devemos demais, ficamos chateados com a situação e gastamos mais ainda tentando reverter algo que nós mesmos causamos.

Pelo menos pra mim não há uma fórmula mágica que fará tudo se resolver instantaneamente. Mas existem algumas etapas que podemos nos ajudar a se organizar rumo ao desafio.

O principal, em minha opinião (e até de grandes instituições financeiras) é Reconhecer que tem um problema e não colocar a culpa nos outros. Gosto de dizer que é ótimo sabermos que o problema é nosso. Posso resolver os meus problemas, os problemas dos outros eu não posso resolver! Então identifique seus erros e vamos arruma-los!

Reconhecer que temos um problema é ótimo! Ao sabermos que o problema é nosso podemos, os dos outros eu não podemos!

Feita essa auto-análise vamos ao primeiro passo real, listar tudo que devemos, quanto devemos e pra quem devemos! É um processo doloroso, mas absurdamente necessário. Coloque também os juros caso eles existam. Com esse total em mãos você saberá exatamente o quanto tem que destinar por mês para regularizar tudo.

Caso não seja possível destinar uma parte do orçamento para quitar as dívidas procure uma solução mais radical e troque suas dívidas. Faça um empréstimo com juros baixos, como crédito consignado, para quitar de vez as dívidas de juros mais altos, como cheque especial e rotativo do cartão de crédito.

Eu fiz exatamente esse caminho, renegociei uma dívida do cheque especial mais o cartão de crédito para pagamento a vista, com isso consegui quase 50% de desconto da dívida e fiz um empréstimo com juros mais baixos para quitar tudo isso. Mas tive que tomar uma decisão bem radical mesmo e acredito que aqui foi o grande ponto de virada da minha vida. Identifiquei que eu não tenho maturidade para ter cartões de crédito ou cheque especial. Desde então (e lá se vão quase 10 anos) não possuo mais cartões ou cheque especial.

E nesse ponto eu fiquei realmente bem chateado no ínicio, me achava “menor que as outras pessoas” e até mesmo amigos me questionavam o porque de não usar cartões de crédito e tudo mais. Eu respondia com sinceridade, entendi que não tenho maturidade para usá-los e para não fazer mais dívidas optei por cancelar todos.

Entender nossas limitações é uma tarefa das mais díficeis, porém é libertador! E assim como você quer pagar, o seu credor quer receber. Sendo assim, a renegociação da dívida é interessante para ambas as partes. Antes de entrar em contato com as instituições financeiras, lojas e afins, é importante se preparar para já chegar na conversa com uma proposta. Veja o quanto você pode pagar e não ultrapasse esse valor. Mantenha sempre o foco na disciplina.

Quando fiz meu planejamento de controle financeiro e descobri o tamanho do buraco onde eu estava, pude estabelecer o valor que dedicaria ao pagamento de contas (nesse caso ao futuro empréstimo que tomaria afim de pagar todos os demais), entendi o que precisava negociar com os credores para que o plano desse certo e não aceitei algumas condições de primeira, fazendo contra-propostas mais vantajosas pra mim, mesmo que meu objetivo já tivesse sido alcançado, afinal numa situação de dívidas estamos no mesmo barco, nós e o banco, só que o banco rema contra você!

Controlar os gastos é um passo fundamental para termos sucesso e efetivamente conseguir quitar suas dívidas. Veja onde estão suas maiores despesas e onde é possível cortar. Comece pelos gastos supérfluos, como lazer, restaurantes e cuidados pessoais. Contas de luz, gás e telefone, também podem ser reduzidas com algumas mudanças de hábitos.

Uma outra política que adotei foi reduzir as contas mensais de forma que todas elas coubessem no menor salário da casa. Quando montei minha planilha de planejamento, comecei a prever situações de emergência, como um ou outro ficar sem emprego e com isso fui reduzindo meus custos mensais. Eu não considero o salário da minha esposa como um rendimento a ser somado ao meu. Essa é uma fórmula que eu me adaptei, mas muitos casais administram o orçamento conjuntamente. busque o caminho que melhor se adequar a sua vida.

Justamente nesta busca por enxugar as despesas, fui procurando serviços de TV, internet, telefone, celular, que me dessem algum benefício ou valores mais justos com pouca perda de qualidade. Mas em muitos casos o que fiz foi abrir mão mesmo de gastos com lazer e superflúos. Em programas anteriores comentei sobre minha mudança de operadora de celular e de como isso representou uma economia de quase 67% nos meus gastos.

Usarei alguns números reais pra exemplificar a alternativa que busquei. Eu tinha um plano celular familiar (ou seja, eu e minha mulher dividíamos as franquias de voz e dados do plano contratado), esse plano me dava direito a ter 300 minutos para qualquer operadora, 3GB de internet e falávamos de graça para celulares da mesma operadora. Tudo isso me custava incríveis 390 reais mensais. Então na busca por enxugar os custos, aqui vale um adendo, todas as operadoras são ruins em algum determinado ponto, não existe no Brasil um serviço que seja bom demais que não possa ser trocado apesar do valor exorbitante que te cobram. Pesquise, busque algo melhor, pro seu bolso principalmente.

Voltando aos números: 300 minutos, 3gb de internet e ligações ilimitadas para a mesma operadora por 390 reais. Tudo isso era divido entre eu e minha mulher.

Fiz uma análise em todas as minhas contas telefônicas dos últimos 3 anos e percebi que constantemente eu estourava os 300 minutos destinados a outras operadoras. Trazendo meu uso médio dos 300 para 450 minutos. Para celulares da mesma operadora minha média de uso ficava em torno de 200 minutos, com um único pico de 800 minutos de uso e isso foi em apenas uma vez em 3 anos.

Procurei, então, um plano que fosse mais vantajoso e acabei migrando para outra operadora com um pacote amplamente maior. são 2500 minutos para qualquer operadora, 5gb de internet e as mesmas ligações ilimitadas para números da operadora. saí dos 390 reais mensais para 139 reais mensais.

Realmente não existe fórmula mágica, e esse foi o capítulo mais importante para minha mudança de direção. Depois de alguns anos de controle e perseverança descobri que nunca precisei de aumento de salário (claro que sempre quero aumento, mas antes eus onhava com um aumento pra sair do sufoco, gastava 13° pra pagar contas), o que eu precisava mesmo era gastar menos!

E como pra mim esse foi o ponto de virada, relembro rapidamente os pontos que falamos por aqui:

  • Reconheça que tem um problema e não coloque a culpa nos outros.
  • Liste todas as suas dívidas e tente negociar prazos maiores e juros menores para cada uma delas.
  • Se puder, faça um empréstimo com juros baixos, como crédito consignado, para quitar de vez as dívidas de juros mais altos, como cheque especial e rotativo do cartão de crédito.
  • Enxugue os gastos, procurando produtos mais baratos, cortando supérfluos e eliminando desperdícios.
  • Destine o que economizar e também os ganhos extras para o pagamento de dívidas e de contas atrasadas.
  • Depois de tudo quitado, reorganize as contas e tente guardar algum dinheiro para emergências.

Deixe um comentário

Seja o Primeiro a Comentar!

Notify of
avatar
wpDiscuz