Controlar é preciso

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Chegou a hora de criar efetivamente uma planilha de controle de gastos e aqui cabe uma observação que servirá pra tudo em nossas vidas, necessariamente o que serviu pra mim, pode não ser vir pra você. E vice-versa! O desafio é justamente adequar algum modelo ao que der mais certo com seu jeito de ser. Não podemos nunca é abrir mão da disciplina, dessa não tem como escapar.

Mas com certeza o maior desafio é entender sua própria questão piscologica. A maioria das pessoas não teve nenhum tipo de educação financeira e na escola muito menos. A gente acha que dinheiro é dinheiro, que se sabemos lidar com ele desde sempre. Esse é um grande erro! Precisamos entender nossas limitações, nossos pontos fracos e principalmente entender porque estamos gastando aquilo naquele momento. É claro que essa é uma tarefa que demanda bastante tempo e até hoje eu sigo tentando entender vários desses motivos, mas quando consegui identificar as minhas limitações no aspecto de educação financeira, consegui colocar em prática meu planejamento de controle de orçamento.

Em muitos casos o endividamento está ligado especialmente à falta de autocontrole no consumo e à busca por uma compensação, um alívio para algum tipo de impulso.

Em uma matéria do portal G1 a psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira fala:

“Somos movidos por impulsos que buscam um alívio imediato. A gente sempre se encontra em uma situação de falta e nunca estará plenamente satisfeito, mas fica muito fácil cair na ilusão de que comprar determinados produtos fará a gente chegar a um estágio de satisfação total, de plenitude”,

Além de psicanalista, Vera é doutora em psicologia econômica pela PUC-SP e autora dos primeiros livros sobre o tema no Brasil.

“É uma ilusão, mas a gente gosta de se iludir. A vida é dura, então acabamos buscando conforto em algumas ilusões, e esta é uma delas.” Segundo ela, as pessoas que ficam com dívidas demais normalmente se deixam influenciar pelas circunstâncias externas. “No lugar de ela tomar decisões por conta própria, ela fica muito influenciada pelos outros, pelo que vê ao redor dela”, disse ela.

link da matéria do G1

E talvez possamos aqui até incluir questões históricas e políticas como nossa eterna síndrome de coitadinhos, naturalmente já temos uma grande necessidade de consumir e de ter crédito. E esse é um dos pontos que identifiquei em mim mesmo. Vejo claramente onde meu endividamento começou porque eu quis abrir uma conta bancária dessas de “alto nível”, era uma conta (Van Gogh do Banco Santander), eu tinha uma conta “comum” no Banco Itaú, mas como o Itaú não me deixava ser Personalité, eu optei pelo Santander. E eu queria essa conta por um único motivo, status! Mas ora bolas, que status é esse que uma conta sem dinheiro pode me dar? É a questão psicológica em campo, queremos status social, queremos mostrar que para os outros que somos bons. Usamos todo tipo de artifício para disfarçar essa “necessidade”, no meu caso eu queria ter um limite no cheque especial para emergências. Emergências essas que nunca vieram e em poucos meses eu que não devia nada a ninguém, passei a dever quase 10 mil reais ao banco.

O pulo do gato aqui não foi nenhuma planilha ou método e sim identificar o gatilho psicologico que me fazia cometer essas loucuras. Quando identifiquei e tomei uma decisão radical, confesso que não me fez feliz de imediato, eu me sentia “menor”, me sentia “humilhado” por não ter mais mais cartões de crédito ou cheque especial. Aliás nem talão de cheque eu tinha também (e sigo assim até hoje!), demorei a perceber que o que eu tinha era dinheiro! Mas isso eu conto detalhadamente num próximo episódio.

Depois que consegui sair dessa roda viva do endividamento, chegou o momento de controlar todas as ações que planejei, afinal sem controle eu não teria sucesso. Pra tudo que você implantar em sua vida é importante ter como medir, consumo de água você mede, de luz, do gás, garanto que de tudo isso a que você controla melhor é a franquia do celular (olha uma situação psicologica interferindo novamente), afinal não podemos ficar sem ouvir o “devo não nego” pela rede 3g/4g não é mesmo?

Assim como você consegue controlar sua franquia de celular usando redes wi-fi, falando com pessoas da mesma operadora, usando bônus e créditos extras, podemos trazer esse gatilho psicologico de controle pra sua planilha de gastos mensais.

O que eu me impus como fator disciplina foi eleger um dia para cuidar do orçamento, escolhi justamente o dia que recebo pra isso. funcionou bem pra mim dessa maneira, escolha um dia, sente-se a mesa e trabalhe de forma concentrada nisso. No começo eu gastava mais tempo, depois passou a fluir facilmente.

Quando eu comecei o meu planejamento acabei baixando várias planilhas que existem pela internet e acaba por achar todas elas complexas demais. Não conseguia entender a razão de todos aqueles cálculos e muito menos tinha interesse em manter algo tão complicado. Pra mim gasto é gasto, não importa se ele é fixo ou varíavel, se sai do meu dinheiro (e aos poucos vamos substituir esse conceito de dinheiro por orçamento) ele já esta gasto e pronto!

Então, como não me dou bem com números, acabei criando a minha da forma simples possível, ela é divida em 3 blocos horizontais:

O primeiro é onde entra a minha receita (ou seja meu salário que é a minha única fonte de renda) se você tiver mais de uma fonte de renda, coloque todas elas somadas.

O segundo bloco é dividido em 3 colunas: Uma com as despesas descritas, outra com o valor e uma terceira com o % do que aquela despesa representa em meu orçamento.

O último bloco está separado em 2 colunas, Saldo final (que é a diferença entre receitas e despesas) e o mesmo % do que aquele saldo representa no meu orçamento.

Vou tentar exemplificar, mas adianto que a planilha estará disponível para download no final do artigo.

Eu listei como despesas os seguintes pontos:

Saldo bancário – aqui é o valor que usei do cheque especial, se usei ele entra como uma dívida a ser quitada de forma integral e imediata. Nunca fique empurrando isso pra frente, pague sempre 100%

Condominio
Despesas com estudos (cursos, faculdade etc)
TV a cabo (aqui vale uma observação, eu assinei um combo com TV, internet e telefone, isso me custa mais barato e acabo tendo uma fatura só pra pagar, apesar de alguns poréns que não cabem aqui nesse podcast)
Celular (outra observação que fiz até num cast anterior, possuo um plano familiar, onde todos os celulares da minha casa ficam debaixo desse plano, ele é 67% mais barato do que o plano similar da operadora que tinha anteriormente, pesquise, estude e faça uma escolha que te dê vantagens, não se prnda em imagem de companhias, pra elas somos só um número)
Conta de gás (aqui na minha cidade o gás é encanado e eu pago uma fatura como se fosse a conta de luz)
Luz
Gastos no cartão de crédito (eu não possuo mais cartões de crédito, mas meu instinto consumista me faz comprar coisas no cartão da minha mulher, então eu mantenho tudo organizado aqui nesse item, mas também farei um cast somente sobre isso)
Pensão alimentícia – caso você precise pagar, mantenha um cuidado ainda maior com esse gasto que é um dos mais importantes que teremos na vida.

Poupança – Aqui vale o destaque supremo! Eu sou uma pessoa que adora um carnê, eu sempre precisei ter algo pra pagar. Então usei esse gatilho psicologico pra me fazer poupar. Eu transformei meu ato de poupar numa dívida mensal e pago por ela todos os meses.

Gastos com transporte
Alimentação (aqui você pode dividir em compras de mercado ou almoço no trabalho)
Gastos extras, que podem ser situações de emergência que sempre nos acontecem.

Feito isso a planilha irá calcular e te dizer seu saldo restante, em dinheiro e em %. Mais a frente você irá entender porque o % é importante para nós.

Então você pensa, isso é moleza pra quem não tem dívida, eu estou enforcado, blá blá blá…

Quando eu comecei eu não tinha um item poupança nessa planilha e sim um item dívidas a pagar. Quando o pagamento das dívidas acabou esse item se transformou na poupança! Como eu tinha dificuldade em poupar, mas tinha facilidade em pagar carnês e prestações, usei isso a meu favor. Mantive o mesmo valor que eu pagava de prestação de pagamento das dívidas no meu compromisso mensal de poupar. Ou seja, aquele valor que já estava consolidado em sair mensalmente do meu orçamento, continuou a sair, só que dessa vez ele saia pra mim mesmo!

Quando comecei a fazer essa planilha, nos primeiros meses o saldo era sempre negativo, ou seja, faltava dinheiro, mas aos poucos ele foi melhorando e passou do negativo pra um positivo de 5%. O saldo que eu conseguia ter era de 5% do meu salário, era o que sobrava no mês. Hoje 6 anos depois esse saldo pulou de 5% para 21%. E aqui vai um dado interessante: Esses 21% não contemplam a minha contribuição mensal pra poupança, como eu encaro a poupança como uma dívida a ser paga, eu dedico 30% do orçamento pra poupar.

Mas como eu não gosto de números, tentarei simplificar ao máximo. Hoje eu comprometo com as despesas da minha família 50% da minha receita total! Qualquer especialista financeiro irá indicar que todos precisamos justamente alcanças esse número. E se eu consegui isso, todos podem conseguir. Não foi fácil, não foi rápido e nunca acaba! Mas o resultado é surpreendente!

No próximo artigo vou contar um pouco mais de como consegui me livrar das dívidas.

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