Pare de jogar dinheiro fora

6 Minutos de leitura

Não há Super-herói que combata melhor os vilões financeiros do empreendedorismo a não ser você mesmo!

Não bastassem as dificuldades naturais de empreender, tem dias que parece que nós mesmos somos os responsáveis por tantos contratempos. Isso acontece porque muitos empreendedores não tem experiência na área de gestão e finanças.

Focamos no que nos atraiu ao empreendedorismo e esquecemos dos “bastidores”, como a parte financeira. Para mantermos um empreendimento (seja ele de qualquer tamanho e até mesmo as finanças pessoais) precisamos entender administração de empresas. Mesmo que não vire um especialista, é preciso ter noções básicas e conseguir olhar para dentro da sua própria empresa sem aquela visão de paixão que todo empreendedor possui.

Há alguns meses o site EXAME.com selecionou alguns vilões no mundo das finanças, que podem estar comendo o orçamento do seu empreendimento. Confira quais são eles e o que fazer para enfrentá-los:

 Juros em compras, contas e empréstimos

É fundamental fazer as contas com precisão e verificar se vale a pena parcelar a compra de matéria-prima para o seu negócio.

Compare a taxa de juros que você paga no produto embutido com a taxa de empréstimo praticada para o valor que você pegaria emprestado para pagar à vista. Assim, você saberá se vale a pena ou não. Às vezes, esse cálculo passa desapercebido pelo empreendedor.

Pagar contas em atraso (mesmo os pequenos) geram multas desnecessárias que muitas vezes não prestamos atenção justamente por achar pequenas! (ou porque o valor as vezes vêm somente no mês seguinte). Pode acontecer por falta de dinheiro, mas também por falta de organização. De qualquer jeito, é sinal de falta de controle financeiro.

Vale lembrar que nem sempre pagar juros é algo negativo – desde que você tenha feito as contas e esteja buscando uma modalidade correta de financiamento para o seu negócio.

Por exemplo, pegar dinheiro via cheque especial para financiar o capital de giro não é uma boa ideia, por conta dos altos juros. Sempre vale a pena pesquisar mais e conhecer os diversos produtos oferecidos pelas instituições financeiras.

Tarifas bancárias e de maquininhas

Outra área que costuma passar batida pelos empreendedores é a de tarifas. Por exemplo, quando o banco cobra um valor pelo serviço que presta: movimentação na conta corrente e na poupança e a realização de transferências, por exemplo. É preciso que você veja o que esta incluído em seu pacote de serviços e o quanto está pagando. Se for insuficiente para sua movimentação, renegocie com o banco outro pacote de serviços ou a redução desses valores. Ou busque alternativas financeiras com custos menores.

A maquininha de cartões (caso seu negócio precise de uma) é onde se escondem, atualmente, muitas pegadinhas como a venda casada (que é uma prática que não deve ser aceita por ninguém).

Recentemente ao abrir a conta de uma empresa o gerente do banco me ofereceu a maquininha dele como sendo a mais barata do mercado, tinha na mensalidade e no percentual de vendas valores maiores do que as concorrentes de outras bandeiras.

Nesse caso a análise a ser feita era se a soma de todos as tacas cobradas e descontos concedidos trariam uma condição financeira favorável ao negócio. Por enquanto não era, para que a oferta do Gerente do banco fosse vantajosa, o volume de vendas mensal teria que ser maior.

E tenha em mente quantas maquininhas seu negócio realmente precisa ter, pois a mensalidade é individual para cada máquina. E talvez esperar uns segundos seja melhor do que pagar 2, ou 3 mensalidades. Tudo dependerá do seu volume de vendas e do seu negócio. Quanto maior você for, maior poder de negociação terá.

Se você precisa de uma máquina reserva para emergências, existem boas opções no mercado sem pagamento de mensalidades. Podem ter taxas de operação maiores, é verdade, mas é só fazer as contas e ver o que te daria melhor retorno, pagar mensalidade numa máquina reserva ou taxas maiores apenas quando for preciso usar essa máquina numa emergência ou eventualidade.

Lembre-se a instituição financeira (banco ou outras empresas) NUNCA sairá perdendo!

Falta de acompanhamento dos gastos operacionais

Muito dinheiro pode ser perdido caso as despesas do dia a dia não sejam controladas com precisão, por meio de um fluxo de caixa, por exemplo. Acompanhar a operação diária, semanal ou mensal da sua empresa é importantissímo! A falta deste acompanhamento pode acabar gerando gastos desnecessários. Por exemplo, ausência de um processo para cotar produtos ou podem deixar a luz ligada todo o tempo, ou ainda, não controlando o uso de matéria-prima gerando despesas a mais.

A situação pode ficar ainda mais séria e gerar pequenas desonestidades: desde o fechamento de compras com fornecedores apenas por amizade até pequenos furtos.

Se a empresa possui processos cria-se uma cultura de contenção dos gastos.

Ineficiência nos processos

Há uma forma mais eficiente de fazer atividades que você já realiza na sua empresa? Se a resposta for sim, saiba que seu negócio está jogando dinheiro fora.

Gosto de utilizar um método chamado de “orçamento base zero”: no lugar de se basear pelos gastos dos anos anteriores, comece do zero e prove cada item do orçamento separadamente, sem ter uma base em que se apoiar. Assim, você sempre terá a mente aberta para cortar o que for ineficiente. Isso me ajudou bastante quando eu estava no começo e não tinha anos ou meses anteriores para me basear.

Será que eu realmente preciso desses gastos? Se você se habitua com certos gastos, sem fazer o questionamento acima, certamente esta jogando dinheiro fora.

Nessa avaliação, também vale a pena pensar na área de contabilidade: afinal, ela é a responsável por você não perceber dinheiro que vai por água abaixo. Não controlar demonstrações financeiras, fluxo de caixa e impostos é algo muito grave. Não só pela gestão em si, mas para evitar multas com o governo, investimentos futuros, afeta até o valor de mercado de sua empresa. Afinal quanto mais organizada, melhor saúde financeira terá e maior valor de mercado também.

Impostos inadequados

Esse vilão parece ser invencível no Brasil. Trabalhamos cada vez mais para pagar mais e mais impostos. Procure adequar o modelo de tributação de acordo com o porte de sua empresa. Comece de forma mais simples, claro que todos queremos ser gigantes, mas não precisamos pagar como se gigante se ainda somos apenas um pé de feijão.

Há diversos modelos de tributação adequados para uma pequena empresa, de acordo com seu faturamento, porte e tipo de atividade. É possível seguir o Lucro Presumido, o Lucro Real ou o Simples Nacional, por exemplo.

Evite perder dinheiro por um enquadramento tributário inadequado.

Formação de preço ruim

Vender mais nem sempre é garantia de lucro maior: se você não fizer a precificação correta dos seus produtos ou serviços, pode estar perdendo dinheiro a cada negócio fechado.

Se você não sabe com precisão qual o custo total da sua mercadoria ou serviço, desde as tarifas bancárias passando pelos valores ao comprar matéria-prima até os custos de transporte e taxas de transações a prazo, não conseguirá saber por qual preço deve praticar.

Gastos que não agregam valor à empresa

Você pode até querer um lindo escritório ou tecnologias de ponta, mas será que isso realmente resultará mais satisfação ao seu cliente e, portanto, mais vendas? Se a resposta for negativa, você pode estar deixando sua empresa no vermelho por nada.

Recentemente investi um valor criando panfletos para divulgar minha loja, paralelo a isso fiz campanhas pelo Instagram também (onde só investi meu tempo). Meu retorno da campanha na rede social foi tão superior ao dos panfletos que me fez questionar onde investir o dinheiro.

Muito dinheiro se perde gastando com itens que não necessariamente trazem valor ao consumidor. Antes do gasto, pense se aquilo irá fazer com que seu cliente fique satisfeito e compre mais da sua empresa. Se não for trazer retorno ou valor a sua empresa, não adianta gastar com isso.

Deixe um comentário

Seja o Primeiro a Comentar!

Notify of
avatar
wpDiscuz